KOMPANHIA

OVONO

OVONO

2016

A montagem é uma aventura de ficção científica, satírica e filosófica, na qual um gigantesco osso vindo do espaço está prestes a destruir a Terra. A única esperança do planeta é Ovono, o mais perfeito cérebro artificial já criado, mas esta “máquina” está aprendendo a pensar – a ter sentimentos – e pode não estar preparada para a difícil missão de destruir o objeto ameaçador e salvar a humanidade.


O enredo discute a ambição pelo progresso tecnológico no decorrer da evolução da civilização. Com uma linguagem multimídia inusitada a encenação ousa em técnicas de vídeo maping com projeções em suportes esféricos e infláveis (seres e imagens criadas digitalmente). Ricardo Karman e a Kompanhia do Centro da Terra levam para o teatro uma reflexão fundamental sobre os rumos do progresso e o ônus do desenvolvimentismo irrefreável em nossa época. OVONO é híbrido de teatro, mímica, vídeo e animação computadorizada: as personagens interagem com animações digitais, criando uma dinâmica cênica que mistura o real e o virtual – linha mestra da pesquisa de 27 anos da Kompanhia.


A criação de Karman foi inspirada, de forma irônica, na corrida espacial dos anos 60 e 70, em filmes de ficção científica como 2001 – Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968) e no livro de Gênesis (Bíblia). O osso arremessado para o alto por um macaco (no filme) como alusão ao brilhante futuro da raça humana, marca a utopia do final do século XX. O eloquente orgulho da inteligência humana, das conquistas tecnológicas e da exploração do espaço contrasta aqui com um futuro perverso, com o ônus do modelo de progresso insustentável. Este é o contexto da parábola de OVONO: o Osso retorna e ameaça quedar-se, gigantesco, sobre nossas cabeças com o efeito devastador de uma bomba atômica.


Ovono é um computador dotado de inteligência artificial; é o paroxismo do intelecto humano, a mais sofisticada idealização da tecnologia, a mimese da inteligência humana. Segundo o diretor, a sociedade do consumo confunde evolução tecnológica com desenvolvimento civilizatório. “Há uma certa hipnose gerada pela tecnologia que nos ilude, infla nossa autoestima e nos faz sentir orgulho da nossa raça. Percebemos de forma irrefutável um evolucionismo sempre benéfico. Tecnologia não deveria ser a única referência para o desenvolvimento da civilização. O verdadeiro progresso deveria ser o da evolução humana e dos ganhos sociais de toda a população”, explica Karman.


O espetáculo procura refletir com bom humor sobre essas questões da evolução. Há dois conflitos dramáticos, duas linhas de discussão no texto. Uma crê no progresso e quer manter o Osso no ar: acredita que a humanidade vai conseguir superar seus problemas e continuar evoluindo (e o osso continuará voando no espaço). A outra quer destruí-lo: não acredita na superação dos problemas (e o Osso cairá e nos destruirá). O computador Ovono defende a primeira hipótese, mas, diferentemente do HAL do filme de Kubrick, ele adquiriu fé no Osso. Afinal, ele seria o seu “pai”, a razão única de sua existência. E, contra todas as evidências científicas, “acredita” que ele não destruirá o planeta.


Para Ricardo Karman “o desafio em OVONO é manter a ‘simplicidade’ teatral sem deixar transparecer o inerente rigor técnico e a sofisticação eletrônica para que a história tenha um curso natural e envolvente, diante de uma dramaturgia que assume meios digitais de comunicação como ponte para a estética contemporânea”. Ele ainda explica o significado do título: “ovon-o” remete a novo, a grafia é o contrário de “o-novo”.


FICHA TÉCNICA

Texto e direção geral: Ricardo Karman

Diretor de animação e vídeo: Amir Admoni

Diretor de projeto multimídia: Tito Sabatini

Elenco: Gustavo Vaz, Paula Arruda, Paula Spinelli, Fábio Herford, Bruno Ribeiro e César Brasil

Participação/vídeos: Lulu Pavarin, Vivian Bertocco, Beatriz Bianco e Vivian Vineyard

Assistência de direção: Bernardo Galegale

Figurino: José de Anchieta

Iluminação: Domingos Quintiliano

Cenografia: Ricardo Karman

Dramaturgista: Rui Condeixa Xavier

Projeto e consultoria de inflável: Otávio Donasci

Consultor de imagem: Hugo Mendes e Damian Campos

Equipe de suporte de projeção: Angelo Bag, Damian Campos e Hugo Rodrigues

Trilha sonora: Raul Teixeira e Rodrigo Florentino

Operação de som: Rodrigo Florientino

Operação de luz e vídeo: Leonardo Patrevita

Animação: Amir Admoni e Fabrício Melo

Rigging / verme: Leonardo Cadaval

Animação verme: Diego Souza

Videorreportagem: César Brasil

Assistente de iluminação para montagem: Marcos Rogério Fávero e Vinícius Requena

Adereços: Marcela Donato, Paulo Galvão, Josué Torres

Consultoria visagismo: Duda Marcondes

Contrarregra: César Brasil, Bruno Ribeiro e Moises Saron Lopes

Costureira: Lande Figurinos

Confecção de inflável: Juanito Cusicanki

Fabricação da calota: Marcelo Carlos da Macplast

Coordenação de produção e produção executiva: Vivian Vineyard

Administração: Norma Lyds e Emerson Mostacco

Projeto gráfico: Keren Ora Karman

Fotografia: Leekyung Kim

Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação

Idealização: Kompanhia do Centro da Terra

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Patrocínio: Banco do Brasil

Copatrocínio: Sabesp

KOMPANHIA

04.07.1989

Fundação da Kompa­nhia

KOMPANHIA

525 Linhas 1989

525 Linhas

KOMPANHIA

1990

Reflux

KOMPANHIA

O Santo e a Porca 1990

O Santo e a Porca

KOMPANHIA

Viagem ao Centro da Terra 1992

Viagem ao Centro da Terra

KOMPANHIA

A Grande Viagem de Merlin 1995

A Grande Viagem de Merlin

KOMPANHIA

Marathon 1996

Marathon

KOMPANHIA

2001

Teatro do centro da terra

KOMPANHIA

2005

sobre-viventes

KOMPANHIA

2005

I Mostra de drama­turgia

KOMPANHIA

2005 a 2016

O Ilha do Tesouro

KOMPANHIA

2006

Corpo d’água

KOMPANHIA

2007

O Kronos­cópio

KOMPANHIA

2007

Pneuma

KOMPANHIA

2008

O Ilha - Center Norte

KOMPANHIA

2010

Teatro­kê

KOMPANHIA

2010

Aguáh - Billings

KOMPANHIA

2011

biliri e o pote vazio

KOMPANHIA

2010 a 2014

Sarau Noites na Taverna

KOMPANHIA

2014

O Ilha - Mirada